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Sustentabilidade



Nas pegadas da laranja


Com 85% do mercado mundial, exportadores de suco apresentam estudo inédito sobre as emissões de carbono do setor

Lau Polinésio

 

CitrusBR_Pelo segundo ano consecutivo, a Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos - CitrusBR avança nas questões de sustentabilidade. A ideia consiste em numa só tacada, calcular toda a emissão de carbono do pomar até o engarrafador, que compra e distribui o produto para as diversas marcas existentes nos mercados mundiais. A iniciativa incluiu as quatro grandes empresas Cutrale, Citrosuco/Citrovita e Louis Dreyfus Commodities.

"Agora temos o número de emissão do suco de laranja brasileiro", afirma Christian Lohbauer, presidente da CitrusBR. A entidade reforça, segundo o executivo, o compromisso com as ações de sustentabilidade, com a divulgação de dados e a comunicação dos resultados alcançados seja na esfera do carbono, como no tratamento da água e seus resíduos.

A iniciativa é uma antecipação a futuras pressões que certamente chegarão. "Essa é uma tendência importante e que estamos atentos, prontos para mostrar que o suco de laranja brasileiro é sustentável", explica Lohbauer.

Por litro de suco concentrado, a emissão é de 190 gramas equivalente de carbono, ante 314 gramas equivalente do suco não concentrado, vendido de forma pausteurizada com a própria água da laranja. Números que se mostram bem abaixo dos apresentados em estimativas anteriores. O projeto foi desenvolvido pela empresa Delta C02, uma incubadora da ESALQ/USP e obedeceu às mais rigorosas metodologias internacionais (PAS 2050, ISO 14040 e GHG Protocol). "Acredito que esse seja um marco, visto que não tenho conhecimento de nenhum outro setor que tenha feito um memorando de emissão de carbono de toda a sua cadeia", explica Marcelo Galdos, pesquisador responsável.

Segundo o coordenador do Comitê de Sustentabilidade da CitrusBR, Antonio Carlos Gonçalves o assunto terá de ser tratado nos próximos três anos. "É preciso mais de uma safra para que tenhamos um número mais preciso, visto que há variações grandes nas quantidades de fertilizantes utilizados, por exemplo", avalia. Segundo ele, uma cartilha com boas práticas agrícolas está sendo desenvolvida para que todos saibam como é possível produzir com o mínimo de emissões possíveis. "É um começo, mas um passo importante", avalia.

É interessante notar que para os sucos naturais, vendidos com a própria água da laranja, a etapa que mais contribui para as emissões é o transporte com uma participação entre 45% a 60%, dependendo da distância percorrida. Já para o suco concentrado, cujo volume é 1/6 do natural, justamente por ocupar menos espaço, a parte agrícola é a que mais emite carbono - com 70% das emissões. "A agricultura contribui mais por causa dos adubos nitrogenados e suas reações químicas", explica Galdos.

Como o suco de laranja vendido pelas empresas brasileiras não possui marca própria, o número de emissão de carbono deverá ser usado pelos engarrafadores para que o inventário chegue até a ponta final, no varejo. "O nosso número vai até o engarrafador, contempla toda a parte agrícola, industrial e de transporte até os terminais portuários no mercado exterior", explica Lohbauer. "Toda a parte de frete, envasamento e distribuição nesses mercados terá de ser feita pelos responsáveis por essas cadeias, mas uma boa parte do trabalho já está pronto", diz.


Histórico

- A idéia do estudo era ter o número de emissões para a produção brasileira de São Paulo de suco de laranja a ser entregue na Europa.

- São quatro empresas, Cutrale, Citrosuco, Citrovita e Louis Dreyfus Commodities, responsáveis por quase toda a produção de suco de laranja exportado no Brasil.

- A  DeltaCO2, empresa de consultoria, especializada na quantificação de gases de efeito estufa (GEE), fornecerá todo o  suporte técnico, seguindo o Padrão Publicamente Dispoinivel 2050 (PAS 2050, na sigla em inglês), o protocolo GHG e normas ISO 14040 e 14044 (Avaliação do Cilco de vida).

- Foram calculadas as emissões de dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e o óxido nitroso (N2O), expressos em equivalentes de CO2 (CO2eq), de acordo com seu potencial para o aquecimento global.

- Esta avaliação da pegada de carbono compreende as seguintes fases do ciclo de vida do produto: Matéria-prima, Processos Industriais e Logística Externa.

Matéria-prima:
Inclui a produção de mudas, plantio, cultivo, adubação, colheita e transporte dos frutos para as plantas industriais.
As fontes de gases de efeito estufa incluídos são: emissões de solo, através da aplicação de fertilizantes e calcário, as emissões de fósseis e queima de combustíveis renováveis (em máquinas agrícolas, transporte de trabalhadores rurais e de frutas); energia comprada e o montante das emissões na produção e transporte de combustíveis e insumos agrícolas.

Processos Industriais:
Inclui o recebimento das frutas, processamento, pasteurização ou pasteurização + concentração, a armazenagem nas instalações, transporte rodoviário para armazenagem no Porto de Santos, a queima de combustíveis provenientes de fontes fixas e móveis, energia comprada e o montante das emissões da produção e transporte de insumos industriais e combustíveis.

Logística externa:
Inclui o transporte de suco para os portos europeus, na Bélgica e na Holanda, e armazenamento de suco no porto de destino. As emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) incluídos nesta etapa vieram da produção (pasteurização, etc), transporte e queima de combustível em fontes estacionárias e móveis, e energia elétrica comprada.

 

 

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